O segundo livro que li nos últimos dias é “Aos meus amigos”,
de Maria Adelaide Amaral. Resolvi ler o livro depois de ter visto a minissérie “Queridos
Amigos” em DVD. Eu já tinha assistido a minissérie na TV quando passou em 2008.
Já naquele ano a temática da história e o contexto me fisgaram. O tema central
é a amizade que pode unir as pessoas a ponto de criar uma “família” e o
contexto são os conturbados anos 70 e 80. Aliás, é exatamente por isso que
comprei a minissérie, ela também entra no meu roteiro de minisséries com fundos
históricos, porque a maioria dos personagens teve envolvimento com a luta
contra a ditadura, três personagens, Tito, Ivan e Bia foram presos e
torturados, Tito e a mulher, Vânia são exilados no Canadá, e Beny com
influência da família consegue ajuda para soltar os amigos e providenciar o
exílio de Tito. Tem as discussões sobre a situação do Brasil, a volta dos
exilados com a Anistia em 79, a luta pelas Diretas Já, em 1982, e a redemocracia
e as primeiras eleições diretas em 1989. A resistência à Ditadura tinha sido
tema em Anos Rebeldes, em Hilda Furacão e JK, mas os anos 80 são abordados
somente nesta minissérie.
Depois de devorar o DVD, porque mesmo sabendo qual era o
fim, eu queria ver toda a minissérie sem ter que parar muito, mas é difícil,
afinal são quatro DVDs com uma média de 3,5 horas cada. Aí depois de assistir
pela segunda vez a história, procurei pelo livro da Maria Adelaide Amaral que
deu origem à minissérie. “Aos meus amigos” foi publicado em 1992 e as duas
histórias são complementares. Na verdade, as duas histórias tem muito comum,
mas são diferentes. Até pelo formato, livro/minissérie, e pelo tempo entre
elas, 1992/2008, a grande diferença talvez seja o tom da história. O livro é
mais ácido, a minissérie mais suave, mais doce, eu diria lírica.
O livro tem dois personagens a mais, Adonis e Caio. De certa
forma, na minissérie Caio e alguns traços de Adonis foram incorporados a Beny,
e pensou eu, que mais alguns traços de Adonis foram agregados a Pedro e ao Leo.
Também difere um pouco como os amigos se reencontram. No livro, o suicídio de
Leo desencadeia o encontro. Na minissérie, Leo descobre ter uma doença terminal
e resolve reunir os amigos. Para isso faz uma reunião em que dá tudo errado,
depois simula um acidente com morte e depois reaparece aos amigos e o fim,
culmina com a sua morte. Tudo isso se processa em poucos dias.
O que me impressionou tanto no livro quanto na minissérie é
exatamente a questão que dá início as duas história: a amizade. Leo dizia que o
importa são os afetos. Os afetos que a gente vai criando ao longo da vida. Concordo.
Plenamente. Abaixo um trechinho de uma conversa entre Leo e Lena na minissérie.
Leo: “Sinto saudade do tempo em que a gente era amigo”.
Lena: “Eu também. Tenho saudade das piadas idiotas, da vida
de todos passada a limpo, daquela espécie de adolescência revivida do afeto que
nos unia, da família que éramos. Quando ns separamos, eu perdi a família. Nós
temos que ficar juntos. Nós, que apesar de todas as diferenças nos queremos
tanto, por tudo o que vivemos, pela cumplicidade que muitas vezes não é verbal,
mas que se expressa na nossa afetividade, na agressão, no carinho que temos uns
pelos outros, que é o carinho pela nossa juventude, nós não podemos romper, nos
afastar”.
Leo: “O que importa nesta vida são os afetos, Lena, os
afetos”.





1 comentários:
Oi, Amanda.
Lembro dessa minissérie, mas não a assisti por causa do horário, o sono vencia sempre. Adorei o post comentando e comparando o livro ao programa de TV.
Beijos
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