A virada do ano pode não ter sido das melhores no Sul do
mundo, chuva deu raras tréguas. Mas, apesar do Réveillon ter sido menos
colorido em Capão da Canoa – graças a esperteza da equipe da prefeitura e da
empresa contratada que deixou molhar os fogos de artifício – o ano começou bem.
A primeira boa notícia: meu irmão passou no vestibular da UFSC em Engenharia Civil.
E a segunda boa notícia: os móveis do meu quarto já estão em produção!

Nesta primeira semana que foi bem corridinha, ainda consegui
ler três livros e assim diminuir a pilha de leitura. O primeiro que li foi “A
garota das Laranjas”, de Jostein Gaarden, mesmo autor de “O mundo de Sofia”. O
livro é pequeno, cerca de 160 páginas e a história gira em torno da Garota das
Laranjas. Não, a garota não é exatamente um ser mítico ou místico, mas
dependendo do olhar até pode ser. Neste pequeno romance, Jostein conta a
história de um médico que tem uma doença terminal e escreve uma carta para seu
único filho. A carta desaparece por anos e só na adolescência o rapaz encontra
escondido no forro do seu carrinho de bebê. O livro é a própria carta com
algumas intervenções do menino. Uma história bonitinha que nos faz refletir
sobre a vida e a morte, a existência na Terra e a grandeza do universo e o
quanto vale o amor. A principal pergunta filosófica do livro é: dado a você a
oportunidade de viver, mesmo que poucos anos, você aceitaria a aventura de
viver ou preferiria não ter esta experiência?

O segundo livro foi “4 de Julho” de James Patterson. Este eu
li em uma noite. O livro tem cerca de 200 páginas. Mistura ação, romance policial
e thriller de julgamento. A história envolve uma policial, Lindsay Boxer, que
durante uma perseguição acaba matando uma menina e ferindo gravemente outro
adolescente após os dois atirarem nela e em seu parceiro. A questão é que os
dois meninos eram assassinos em série, mas tinham dinheiro, então o pai deles
processa a policial. Parte da história envolve essa tensão: ela será julgada
culpada ou absolvida de abuso de autoridade? O segundo núcleo do enredo envolve
outros assassinatos, também em série, ocorridos na cidade onde mora a irmã de
Lindsay e onde ela procura abrigo antes de ir a julgamento – porque ela é
afastada de suas funções como tenente e chefe da divisão de homicídios. Lindsay acaba se envolvendo nas investigações
até por desconfiar que os casos estão ligados a outro, ocorrido há 10 anos, um
dos primeiros casos dela na homicídios e que ficou sem solução. O que a leva a
desconfiar é o modus operandi e no fim, claro, ela estava certa. O livro é bom,
bem escrito, não é a toa que o autor está sempre na lista dos mais vendidos nos
EUA. Ganhei o livro em uma das reuniões do Clube do Livre de Tubarão. Se
encontrar outros livros do mesmo autor irei lê-los com certeza.

O terceiro livro é “Os filhos do Éden, Herdeiros de
Atlântida” de Eduardo Sporh. O livro é um spin-off de “A Batalha do Apocalipse”.
Desde o início, o autor procura deixar claro que não é uma continuação, mas
quem já leu a Batalha...vai encontrar algumas respostas que no primeiro livro
ficaram obscuras, como por exemplo, o que aconteceu com o arcanjo Rafael. Em A
Batalha... fala-se que ele desapareceu depois de iniciadas as brigas entre os
arcanjos e as tentativas de devastação dos humanos. Pareceu que ele
simplesmente tivesse desistido de tudo. Mas, não, Filhos... mostra que ele se
refugiou no 3º Céu, nos Campos Elísios, onde são recebidas as almas dos humanos
que foram bons em vida e ascendem ao 3º Céu, o Éden Celeste. O livro também
mostra como Rafael sumiu e os apêndices explicam melhor a cronologia e as
batalhas anteriores.
Li A Batalha junto com o pessoal do Clube do Livro e Filhos
do Éden ganhei da Renata Cardoso que me tirou no amigo secreto do clube. Gostei
de A Batalha, mas achei o final confuso, com aquela história do Ablon ter destruído
a Roda do Tempo, ele e Shamira voltaram no tempo, mas só ele lembrava do que
tinha acontecido, aí fica a questão: a tomada do templo de Sião aconteceu ou
não? Também tinha ficado confuso esse sumiço de Rafael e achei que foi pouco
falado sobre Jesus, só fala que ele na verdade seria filho de Gabriel e Maria,
e que após seu nascimento, Gabriel se deu conta do amor de Deus pelos humanos e
se revolta então contra Miguel. Surgem aí os novos rebeldes, já que antes era
Miguel contra Lucífer.
Gostei do enredo e do estilo porque adoro fantasia e
mitologias. Aliás, Eduardo não só cria um universo de personagens e
trajetórias, mas utiliza-se do que outros autores já escreveram, um exemplo:
Brumas de Avalon. Em Filhos... ele fala que Avalon é um dos vértices, ou seja,
é uma realidade acessível apenas por um portal, mais ou menos como relatado no
livro já célebre, um dos meus preferidos.

Uma das coisas que eu mais achei interessante é que os anjos
não são vistos como seres perfeitos, mas ao contrário, tem muitos defeitos!
Neste novo livro isso é ressaltado, porque cada casta tem suas limitações.
Adorei os ofanins, os anjos da guarda bem diferentes dos querubins, os brigões.
Não há nenhum problema em ler primeiro Filhos do Éden, as
duas histórias tem algumas coisas em comum, mas são episódios que se encerram
com o ponto final. Filhos do Éden terá mais livros, o autor ainda não definiu se
será mais um ou mais três, mas os personagens, ao menos a líder, a ishim Kaira
deve ser o centro das atenções. O próximo livro já tem nome: “Os anjos da morte”
e pelo que li deve ter como pano de fundo as guerras mundiais. Neste primeiro,
como diz o subtítulo fala sobre Atlântida, a Pérola do Mar. Bem escrito, ficava
com dó de largá-lo. Queria saber o que aconteceria em seguida e como os
episódios do passado se relacionavam com o que o autor estava descrevendo.
Terminei o livro querendo mais. Vai demorar muito para o próximo?